quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Poesia Pibloktok - Ser-de-sonho-e-de vida!



"Somos feitos dessa matéria dos sonhos."
William Shakespeare



Poesia Pibloktok - Ser-de-sonho-e-de vida!
Desculpes-me em tardias horas
lufada que afagam borboletas
entrar em delicado sonho
que a mim não me pertence!
Caso estranhes: Não, não te conheço!
Para dar-te noção vaga,
onde queres que te encontres,
estou 23:30 horas do século vinte e tantos,
em novembros separados por minutos
nos confins deste espaço ponho ponto.
Pairado lua em nuvens, vales, penso!
Envolto imagino em casulo-acaso,
amar-te ser arte densa:
Dir-te-ei-me solitário
Porque assim suponho somos,
ao necessitar da lamentação, o Muro,
daquilo que poderíamos ter sido e não o fomos,
Mas satisfeitos por nossa alma entender muda
À ausência da essência que o imortal deseja,
O descanso que humilde seja
Aos sonharmos o que somos juntos!

Percebestes o ser poeta,
e rogo não te assustes:
não recito decassílabos!
Deus me livre, parnasiano!
Muito menos outro chato!
Mal sibilo monossílabos
Mal-me-queres e pressinto:
deu-me o dom, o deus-menino,
pensar além suporto-exprimo,
nisto, confesso, sou sublime:
virtudes e defeitos em excesso
sussurrar em teus ouvidos, não me impeçam,
ainda que sujeito a alguns adjetivos:
o simples que nos comove,
o profundo que nos redime,
o ausente que nos preenche
o silencia que nos ensina
(E antes que perguntes
destes caminhos tortos:
porque a reta linha me era cômoda,
ao normal que acomoda,
preferi ser sonho-errante
procurante do mistério
que a todos nós impera!)

E ainda que palavra me confine
Atiro-me pedra-gota-de-orvalho
Que à folha vergada não comporta,
à terra gerando vida,
a vida gestando a morte:
Não acordes, que já parto!
Não te movas, que já fujo!
Não me fales, que já calo!
Não me ames... pois eu amo!

Desta estranha ironia da qual padeço,
enquanto passam, permaneço,
como o outro, passarinho,
eu sozinho em teu ninho:
Enquanto vivem, eu só sonho
E sendo sonho em teu sonho
só assim me reconheço,
nesta sina, des-caminho!

Esgrimando impossível
re-firo-me quase-sempre
Eu de mim sempre ausente
à distância inconstante,
um presente do presente!
Caso queiras-me inexato,
suplico-te respondas:
só existo em teu sonho
ou só sonho que existo?

Que você a mim conceba
Dádiva divina,
pois sê-lo de ti concebido
É a vida que eu sonho!

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Quem sou eu

Curitiba, Paraná, Brazil
Jornalista, escritor, poeta, Diretor de Comunicação do Instituto Reage Brasil (IRBRA)